Psicologia do Esporte nas Artes Marciais

Olá!

Hoje você vai conhecer a proposta do Mente Guerreira: falar sobre a Psicologia do Esporte e qual a sua relação com as Artes Marciais, Lutas e Esportes de Combate, como a Psicologia do Esporte pode contribuir nesse campo, além de dicas, notícias, indicações de leitura e muito mais.

Convido você, seja da área da psicologia, educação física, professor de artes marciais, atleta profissional ou amador, ou praticante a entrar nesse tatame (ou então subir nesse octógono!).

Por isso, neste primeiro artigo, será abordado o que é a Psicologia do Esporte, as áreas de atuação e qual a sua aplicação no campo das Artes Marciais.

Vem comigo?

Esporte e o preparo psicológico

Dentro do ambiente esportivo e competitivo, alcançar metas e otimizar performances é uma demanda constantemente presente. Nesse quesito, a preparação psicológica não surge mais como um diferencial, mas como uma necessidade indiscutível. Ela assume importância tanto quanto a preparação física, técnica e tática dos atletas.

Não é mais coisa de outro mundo a compreensão de que as emoções, as características de personalidade e outros aspectos psicológicos assumem e influenciam substancialmente no desempenho esportivo. Existem diversos estudos que procuram demonstrar essa relação (e no qual serão abordados mais detalhadamente aqui no Mente Guerreira).

Um exemplo de como o estado emocional e preparação psicológica podem interferir no desempenho esperado por um atleta ou equipe: só a gente lembrar da seleção brasileira na semi-final da Copa do Mundo de 2014. Terrível de lembrar, não?

psicologia do esporte

Difícil de esquecer, não?

Olha que ainda tentaram contornar as coisas convocando um profissional de psicologia de última hora, mas…

Pois é, esse exemplo da Seleção Brasileira não pode nem de longe ser considerado ao se falar de Psicologia do Esporte. Já é bom adiantar que o psicólogo não é uma espécie de bombeiro emocional que vai solucionar os problemas de um atleta ou equipe de imediato. Assim como o trabalho físico ou técnico, o trabalho psicológico também precisa de tempo e treino para mostrar resultados [falarei disso em outro artigo].

Mas então, o que é a Psicologia do Esporte?

Definindo a Psicologia do Esporte

Ao contrário do que muitos pensam, a Psicologia do Esporte não é algo tão recente. Pode-se dizer ela existe “oficialmente” desde 1920, iniciando-se no contexto acadêmico.

De modo geral, a Psicologia do esporte pode ser entendida como uma disciplina científica que compõe as chamadas Ciências do Esporte. Ela visa o estudo do comportamento humano no contexto esportivo, isto é, o estudo das causas e efeitos psíquicos (emoções, pensamentos e comportamentos) que o atleta apresenta antes, durante e após a atividade esportiva.

Além da investigação científica, ela também atua a partir de intervenções no contexto esportivo, seja com atletas, equipes, treinadores, dirigentes etc. Por isso, busca-se melhorar o desempenho, ao mesmo tempo em que se tenta minimizar ou neutralizar os pontos fracos ou lacunas.

Além disso, trabalha na relação entre os membros da equipe, na recuperação esportiva, controle das emoções e pensamentos, entre outros aspectos psicológicos envolvidos neste contexto.

Uma de suas características fundamentais é o foco na qualidade de vida das pessoas. É importante ressaltar: o psicólogo do esporte não faz tratamento psicoterápico ou psicologia clínica no esporte.

Nos últimos anos foi possível notar que grandes potências mundiais do cenário esportivo vêm recorrendo à preparação mental, seja em modalidades como: vôlei, futebol, tênis. Isso nos mostra o reconhecimento e a importância da área.

Porém, nem só de alto rendimento vive o psicólogo do esporte…

Áreas de atuação

O psicólogo do esporte pode atuar em diversas situações que envolvam a prática de atividades físicas. É importante o profissional ter conhecimento baseado nas Ciências do Esporte e do Exercício.

As áreas mais comuns são:

1. Esporte de Rendimento

Objetiva índices e resultados. O foco se dá em intervenções destinadas a favorecer a otimização da performance em contexto competitivo.

Isso acontece a partir de técnicas como: estabelecimento de metas, uso da visualização, controle da ansiedade, entre outras.

2. Esporte Escolar

Esta área está intimamente relacionada à formação do sujeito, baseando-se em princípios socioeducativos. Sendo assim, o psicólogo trabalha com relação do aluno e o ambiente escolar, preparando-o para a cidadania e lazer.

O objetivo aqui é melhorar o rendimento acadêmico e a socialização, fazendo um link entre a coordenação pedagógica, o aluno e a prática esportiva.

3. Esporte Recreativo

Incluem as atividades de lazer, as práticas voluntárias e com conexões com movimentos de educação permanente e promoção da saúde. Em geral, foca-se no relacionamento interpessoal entre os praticantes. 

Nesse ambiente, o papel do psicólogo é orientar o praticante no sentido de promover o equilíbrio, o bem-estar e saúde mental.

4. Esporte de Reabilitação

O psicólogo neste contexto acompanha o atleta no processo de recuperação de lesão. Já que muitas vezes o processo pode ser bastante melindroso para o sujeito. Também atua em programas de reabilitação para pacientes em condições limitantes.

Há ainda as atuações em Projetos Sociais, com Idosos, com Portadores de sofrimento mental, etc.

É importante ressaltar que independente da área de atuação em que o psicólogo do esporte esteja inserido, o seu comprometimento maior é com a saúde e o bem-estar dos indivíduos, atuando de forma ética e responsável.

E as Artes Marciais?

As Artes Marciais* podem ser definidas como sistemas e tradições de práticas de combate, que foram criadas por inúmeras razões, tais como:

  1. Defesa pessoal
  2. Militarismo / Guerra
  3. Desenvolvimento mental e/ou espiritual

Atualmente, a maioria delas são conhecidas pelos seus aspectos na formação do sujeito, incluindo elementos como a disciplina, ética e harmonia. Geralmente, são acompanhadas de uma filosofia que cultiva um sentido e um estado de equilíbrio interno. Portanto, a psicologia inserida no contexto marcial deve levar em conta os aspectos relativos a vida esportiva do atleta e ao seu estado emocional, trabalhando também em prol desse equilíbrio interno.

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Esse aspecto filosófico e ético das Artes Marciais favorecem elementos como autoeficácia, confiança, engajamento e adesão a valores sociais. Promovem valores positivos e de suporte ao praticante. Porém, nenhum desses aspectos ocorrerá ou será reforçado se o professor / mestre não souber ou falhar em elaborar uma didática que aborde essa faceta do conhecimento e da prática marcial.

Portanto, é imprescindível que se considere a relação mestre-discípulo (ou atleta-treinador), pois essa é uma relação de forte vínculo e que possui grande conteúdo emocional e formador. O mestre ou professor é uma figura de liderança que, na maioria das vezes, serve como modelo para o praticante.

Possíveis contribuições e intervenções

Pelo fato das Artes Marciais se tratarem de modalidades individuais, a intervenção do psicólogo se faz em relação ao próprio atleta e seu desempenho. Claro que as Artes Marciais também estão inseridas em vários contextos (alto rendimento, projetos sociais, lazer) e que cada contexto vai exigir uma atuação diferente. 

Porém, algumas demandas são específicas do campo, tais como desenvolver potencialidades cognitivas, ou o treino de habilidades mentais:

  • Manutenção da atenção;
  • Memória;
  • Foco e concentração;
  • Motivação e automotivação;
  • Diminuir a tensão e aliviar os níveis de ansiedade esportiva;
  • Estabelecer ou melhorar a autoconfiança;
  • Autocontrole e autoconhecimento;
  • Alcance de metas esportivas (curto, médio e longo prazo);

Cabe salientar também que cada modalidade marcial terá algumas exigências específicas, porém a velocidade na tomada de decisão e controle emocional são tidas, para alguns, como essenciais no contexto competitivo. Tais exigências devem ser consideradas para que os planejamentos táticos e os treinos físicos atinjam os níveis desejados.

Por fim, o trabalho do psicólogo do esporte se faz importante ao favorecer um maior entendimento sobre os sentimentos, pensamentos e emoções que podem interferir na prática marcial. Também atua nas relações que permeiam o ambiente esportivo. Além disso, ele ajuda na motivação para a prática (adesão, permanência ou desistência), considerando a arte marcial como um meio de autoconhecimento, melhora da autoestima, auto-controle e saúde do praticante.

*Para fins didáticos, as diferenças entre Lutas, Artes Marciais e Esportes de Combate está disponível em outro artigo.

Recapitulando

  • Embora seja uma área em expansão, a Psicologia do Esporte não é tão recente;
  • O psicólogo do esporte não é um bombeiro emocional;
  • Em relação às Artes Marciais, o trabalho do psicólogo do esporte se faz importante ao favorecer um maior entendimento sobre os sentimentos, pensamentos e emoções do praticante;
  • Também favorece na motivação, autoestima, auto-controle;
  • Por fim, preza pela promoção da saúde e qualidade de vida.

Indicações de Leitura

ANTUNES, Marcelo Moreira; IWANAGA, Carla Carvalho. Aspectos Multidisciplinares das Artes Marciais. Jundiaí: Paco Editorial, 2013.

COZAC, João Ricardo Lebert: Psicologia do Esporte nas Artes Marciais e o necessário fortalecimento mental dos atletas. Disponível em: Educação Física.com.br.

RUBIO, Katia. A psicologia do esporte: histórico e áreas de atuação e pesquisa. Psicol. cienc. prof.,  Brasília,  v. 19, n. 3, p. 60-69, 1999. Disponível em: Scielo.

SAMULSKI, Dietmar. Psicologia do Esporte. São Paulo: Manole, 2009.

SOUZA, Eduardo. Artes Marciais como esporte e disciplina. Disponível em: Academia do Psicólogo.

3 comentários em “Psicologia do Esporte nas Artes Marciais

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